Rainha Ester: Quem foi e Qual a Lição da sua História.
Ester era uma jovem judia, órfã, criada pelo primo Mordecai no império Persa, durante o exílio do povo de Israel. Seu nome hebraico era Hadassa, que significa “murta”, é um arbusto persistente que produz flores brancas e perfumadas, além de folhas que exalam um aroma agradável quando amassadas. Na cultura bíblica e hebraica, essa planta simboliza paz, gratidão, pureza e vitória.
Após a rainha Vasti ser destituída do cargo por desobedecer a uma ordem do rei durante um grande banquete real, teve início o processo de escolha de uma nova rainha para o Império Persa. Foi nesse contexto que Ester foi levada ao palácio do rei Assuero (Xerxes). Seguindo o conselho de seu primo Mordecai, ela manteve em segredo sua origem judaica e, com sua beleza e elegância, conquistou o favor do rei, destacando-se entre as demais candidatas até se tornar a nova rainha. Vale ressaltar que Ester foi rainha do Império Persa, e não de Israel.
O conflito: o plano de extermínio de Hamã
Toda grande história bíblica tem um vilão, e no livro de Ester esse papel cabe a Hamã. Durante o reinado do rei Assuero, ele foi promovido ao cargo de primeiro-ministro, uma posição de enorme prestígio no império persa. Com o cargo, veio também uma exigência: todos os servos do palácio deveriam se prostrar de joelhos diante dele, em sinal de respeito e submissão.
Só que havia um homem que não se curvava: Mardoqueu, primo de Ester, que trabalhava junto à porta do palácio. E a razão não era rebeldia ou desrespeito. Mardoqueu era um judeu devoto, e para ele, curvar-se dessa forma era um gesto reservado apenas a Deus. Então, simplesmente, ele não se curvava diante de Hamã.
Para a maioria de nós, isso talvez parecesse um detalhe pequeno. Mas para Hamã, foi uma ofensa profunda. Ao descobrir que Mardoqueu era judeu, seu orgulho ferido se transformou em algo muito mais perigoso: ele decidiu que punir apenas Mardoqueu seria pouco. Na cabeça de Hamã, a resposta precisava ser proporcional ao tamanho da sua humilhação, e por isso ele arquitetou um plano para exterminar todo o povo judeu espalhado pelas 127 províncias do império persa.
É nesse momento que a história de Ester deixa de ser apenas sobre um concurso de beleza ou sobre a vida no palácio, e se torna uma narrativa de vida ou morte. Porque agora, o destino de todo um povo está em jogo.
A coragem de Ester diante do perigo
Ao saber do decreto de extermínio contra os judeus, Mardoqueu não conseguiu esconder o desespero: rasgou as próprias vestes, cobriu-se de pano de saco e cinzas, e enviou a Ester uma cópia do decreto, pedindo que ela intercedesse junto ao rei.
Mas Ester hesitou. Ela lembrou a Mardoqueu que se aproximar do rei sem ser chamada era crime punível com morte, a menos que ele estendesse o cetro de ouro em sinal de perdão e já fazia mais de um mês que ela não era chamada à presença dele.
Foi então que Mardoqueu respondeu com a frase que se tornaria o coração de toda a história: talvez tenha chegado à posição de rainha justamente para esse propósito. É esse o grande ensinamento do livro de Ester, a ideia de que Deus posiciona pessoas em lugares estratégicos, muitas vezes sem que elas percebam, para cumprir Seus planos.
Diante disso, Ester toma coragem: pede que todos os judeus de Susã se unam a ela em um jejum coletivo de três dias, comprometendo-se a fazer o mesmo, junto com suas criadas. E, decidida, declara uma das frases mais marcantes das Escrituras: iria até o rei, mesmo sendo proibido, e “se tiver de morrer, que morra!”.
Quando finalmente se apresenta diante dele, Ela faz seu pedido com coragem: implora ao rei que salve sua vida e a de seu povo, revelando que todos os judeus haviam sido condenados à destruição por obra de um inimigo.
A resposta do rei é imediata. Ele entrega a Ester tudo o que pertencia a Hamã e manda chamar Mardoqueu à sua presença, já que Ester havia revelado o parentesco entre eles. Em um gesto simbólico de poder, o rei tira o anel que havia dado a Hamã e o entrega a Mardoqueu, que passa a administrar as propriedades confiscadas do antigo inimigo dos judeus.
No fim, a própria armadilha que Hamã havia preparado para Mardoqueu se voltou contra ele. E o dia 13 de Adar, que deveria marcar a destruição dos judeus, tornou-se o dia da sua vitória e libertação. Foi a coragem de uma mulher, disposta a arriscar tudo no momento certo, que transformou uma sentença de morte em uma história de salvação.
Lições atuais do livro de Ester
A história de Ester não termina com o fim do decreto ou a queda de Hamã, ela permanece atual, porque fala diretamente sobre as escolhas que todos nós enfrentamos. Por trás da narrativa de coragem e reviravoltas, existem lições que continuam válidas para a nossa vida, hoje.
A primeira delas está na trajetória da própria Ester. De órfã a rainha, sua história mostra que os lugares em que Deus nos coloca, mesmo os mais inesperados, podem carregar um propósito muito maior do que conseguimos perceber no momento em que os vivemos. Ester não escolheu se tornar rainha pensando em salvar seu povo, mas foi exatamente naquela posição que sua vida ganhou sentido.
Isso nos convida a refletir sobre o lugar onde estamos hoje, no trabalho, na família, em qualquer área da vida e perguntar: será que Deus não nos colocou exatamente ali, no momento certo, para cumprir um propósito específico, assim como fez com Ester? Assim como ela, sentimos medo diante do que precisamos enfrentar. Mas seu exemplo ensina que coragem não é ausência de medo, e sim a decisão de agir apesar dele.
Vale notar que ela não agiu por impulso: pediu jejum, buscou apoio e se preparou antes de agir. Além disso, precisou revelar quem realmente era, sua origem, seu povo, sua fé para cumprir seu chamado. Esconder sua identidade a protegia, mas foi ao se revelar que ela pôde agir com autoridade.
No fundo, talvez Deus não peça que enfrentemos um rei, mas coloca diante de nós, todos os dias, oportunidades de fazer a diferença e cabe a cada um decidir se vai se calar por medo ou agir por fé.
A fé cresce no estudo. E aqui, ela é aprofundada.

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